Coral Etnografico Casa Povo Serpa

Terminada a novela, uns "àpartes"... Já a própria polifonia é concebida no estilo do antigo Fabordão - mistura de terças e sextas, em que a melodia ocupa o baixo ou uma parte intermédia - a confirmar assim a hipótese assim a hipótese erudita que atribui a esta forma musical uma origem eminentemente popular.(músicólogos (as), afirmem-se, nota do CT, já referida num "simposium", nos anos 90). Continuando as observações do MESTRE F.LOPES GRAÇA, acrescento... O processo não é peculiar ao Alentejo, pois que do mesmo modo se pode observar nas canções da província do Minho, e até aqui porventura com uma maior complexidade harmónica. No entanto, que diferença! A expressividade, a qualidade da melodia alentejana, a poesia trespassada de verdadeira emoção que dela dimana, colocam-na a uma distância infinita da ligeira canção minhota e, apenas com excepção da beira baixa e porventura das profundezas transmontanas, ainda inexploráveis, de todo o nosso restante folclore musical Agora, ( nota do CT),... " Permita-se-me referir), o seguinte caso, que me parece elucidativo. Encontrando-me recentemente em Serpa, foi-me gentilmente oferecido por um apaixonado serpense, o Sr. João Bentes (irmão do pintor Manuel Bentes, que a minha boa estrela ali me fez encontrar e ma andou mostrando os encantadores recantos dessa tão castiça vila alentejana), uma boa porção de exemplares de uma interessantíssima revista de estudos etnográficos, " A Tradição ", que naquela localidade era editada à roda de novecentos.Percorrendo-os, verifiquei com alguma surpresa, que as canções nele recolhidas ofereciam, de uma maneira geral, muito menos interesse musical do que ali me tinha dado a ouvir ao vivo. Tanto quanto estas se me haviam imposto pela sua riqueza expressiva, pelo seu carácter inconfundível, pela sua integridade, se me afiguraram aquelas anódinas, vulgares, não andando muito longe da modalidade espúria atrás referida, como a dar razão à ainda hoje reinante concepção de um folclore saltitante, garrido, folião e engraçãdo, de que são protótipo o conclamado o Vira e a Caninha Verde!. A que será devido o fenómeno? A qualquer acção pedagógica e empreendida no sentido de fazer revivescer as melhores tradições do folclore musical alentejano? A um desses golpes de intuição, de clarividência profética, de sentimento do belo e do verdadeiro de que o povo dá por vezes admiráveis provas? A um simples acaso ou conjunto de circunstâncias fortuitas? Não sei o que dizer, embora muito me interessasse apurá-lo. Mas o que não será difícil de concluir é que os folcloristas que colaboraram em " A Tradição ", ou não conheceram os melhores espécimes da canção alentejana. ou sofreram de um erro de visão, fruto sem dúvida, do estado primitivo r ds concepção simplista que presidia então (e, infelizmente ainda hoje...) aos estudos folclóricos. Aguardam-se, argumentistas para um desenlace no qual TODOS FIQUEM FELIZES, o CANTE MERECE-O! (CT agradece a vossa paciência)!